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A DOR DA GENTE SAI NOS JORNAIS

Miguel Lucena*

Não fosse a minha fé de que Brasília terá dias melhores, seria obrigado a recorrer a antidepressivos para ler as últimas notícias sobre o Distrito Federal.

Jornais e portais de notícias amanheceram o dia noticiando o latrocínio de Maria Vanessa, 55 anos, analista do Ministério da Cultura, morta por ladrões às 23h desta terça-feira ao chegar ao prédio onde morava, na quadra 408 Norte, no coração da Capital Federal.

Vanessa entregou todos os seus pertences aos bandidos, não reagiu, e mesmo assim eles a assassinaram. Chegou a hora de o Estado deixar de passar a mão na cabeça de criminosos. A sociedade não quer que passe, mas o sistema, aparelhado por organizações duvidosas, age contra a população e transforma os algozes em vítimas.

Os bandidos só vão aprender que o crime não vale a pena quando não tiverem mais progressão de regime, com o cumprimento integral da pena fixada, e saidões para curtir com os comparsas e praticar novos crimes.

Outra notícia dá conta de um que um policial militar, lotado no setor de Inteligência do Batalhão de Choque, foi detido ao tentar invadir a 19ª Delegacia de Polícia, em Ceilândia, para tentar resgatar um amigo preso por envolvimento com drogas.

Li, também, que o pessoal que faz limpeza nas escolas públicas, sem receber salários, vale-transporte e dois meses e meio de tíquete-alimentação, resolveu paralisar suas atividades.

Os moradores da zona rural de Brazlândia estão desprovidos de policiamento e sendo atacados pelos bandidos, que invadem as casas, amarram as vítimas e fazem a limpa. Quando eles ligam para o telefone 190 do DF, a ligação cai no 190 de Goiás.

Por fim, vejo que o GDF está perigando não quitar a folha de agosto do funcionalismo público, em decorrência de queda na arrecadação. Seria perigo real ou um bode na sala, para as pessoas se preocuparem com o fedor e esquecerem o resto?

Já ia esquecendo: não chove no DF há 80 dias. Se caísse uma aguazinha, já aliviava.

*Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF e Jornalista

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